20 de outubro de 2005

SR. DJALMÃO

Numa favela, dia de sol, calor infernal. Três homens entram num barraco pequeno,
quente e úmido, arrastando um rapaz magrinho e franzino pelos braços. Lá dentro,
o Djalmão, um negão enorme, fedendo a suor, cara de enjoado, palito no canto da
boca, limpando as unhas com um facão de cortar coco.
Um dos homens diz:
-Djalmão, o chefe mandou você comer o cú desse cara aí.... Disse que é para ele
aprender a não se meter a valente com o pessoal da favela. A vítima grita de
desespero e implora por perdão. Mas o Djalma apenas rosna ignorando os lamentos
do homem:
- Pode deixar ele aí no cantinho que eu cuido dele daqui a pouco.
Quando o pessoal sai, o rapaz diz:
- Sr. Djalmão, por favor, não faz isso comigo não. Me deixa ir embora. Eu não
digo pra ninguém que o senhor me deixou ir sem punição...
Djalmão diz:
- Cala a boca e fica quieto aí!
Cinco minutos depois, chegam mais dois homens arrastando um outro:
- O chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos desse elemento. É
para ele aprender a não tocar no dinheiro do chefe.
Djalmão com voz grave:
- Deixa ele aí no cantinho que eu já resolvo.
Pouco depois, chegam os mesmos homens, arrastando outro pobre coitado:
- Djalmão, o chefe disse que é pra cortar o bilau desse cara aqui, pra ele
aprender a nunca mais se meter com a mulher do chefe. Ah, e ele falou que é pra
você cortar a língua e todos os dedos dele para não haver mais a possibilidade
de ele bolinar nenhuma mulher da favela!
Djalmão com voz mais grave ainda:
- Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho junto com os outros.
O primeiro rapaz entregue aos cuidados do Djalmão diz em voz baixa:
- Seu Djalmão, com todo respeito, só pro senhor não se confundir "O do cú sou
eu, tá?"

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